Tem um segmento da beleza que cresceu sem estampar capa de revista: os studios de sobrancelhas e cílios. Enquanto o mercado debatia salões e barbearias, o design, a henna, o lash e o brow lamination foram ocupando agenda — e os números da base Gendo mostram o tamanho que isso tomou.

O crescimento em números

Em julho de 2023, os serviços de sobrancelha e cílios somaram 82,7 mil atendimentos na base. Em julho de 2026: 107,2 mil — crescimento de 30% em três anos, bem acima dos 18% da plataforma como um todo no mesmo período. Não é maré que sobe para todo mundo: é o segmento ganhando espaço dentro da própria beleza.

Julho de cada ano Atendimentos de sobrancelha/cílios
2023 82,7 mil
2024 92,2 mil
2025 104,3 mil
2026 107,2 mil 📈

E dezembro conta a mesma história no pico: 122 mil (2023) → 128 mil (2024) → 129 mil (2025). O olhar entrou de vez no ritual das festas.

O retrato dos studios especializados

Além do serviço crescer dentro de salões, nasceu uma categoria própria: na base Gendo já são 683 studios dedicados a sobrancelhas e cílios, que movimentaram 709 mil atendimentos nos últimos 12 meses — mais volume que toda a podologia. O perfil deles impressiona:

  • 1.038 atendimentos por studio/ano (~87 por mês) — operação de alta frequência;
  • Ticket médio de R$ 102 por visita (média sem os valores extremos);
  • 58% das clientes novas voltam — medido em 82 mil clientes reais;
  • Quem volta faz 5,2 visitas e gasta R$ 602 no primeiro ano.

Nota de régua: esses 58% são medidos na base completa — incluindo studios que usam sistema só como agenda, a régua mais conservadora que existe (e, nela, nenhum outro segmento supera os studios de olhar). Os comparativos por segmento do nosso Panorama usam o recorte de negócios ativos, onde todos os números sobem — por isso lá você vê 63–80%. Réguas diferentes, ambas reais.

Por que esse negócio retém tanto

A resposta está na biologia, não no marketing: design perde a forma em 3 semanas e extensão de cílios pede manutenção em 2 ou 3. É o único segmento da beleza em que o produto se desfaz sozinho num prazo previsível — recorrência embutida no serviço.

O que separa os studios que faturam dos que enxugam gelo é transformar essa recorrência biológica em compromisso de agenda: a cliente que sai com a próxima manutenção marcada volta no prazo; a que sai com um "qualquer coisa me chama" volta com 45 dias — quando volta. Nos dados, é a diferença entre o studio típico (cerca de 60% de retenção) e o quarto superior da base, que passa de 66% — medido em 395 studios com volume relevante, na mesma régua conservadora.

O design dura 20 dias. A decisão de onde fazer o próximo se toma no dia 1 — na saída, com o retorno agendado — ou no dia 20, no Instagram da concorrente.

O checklist do studio que surfa o crescimento

  1. Retorno agendado na saída, sempre — "já deixo sua manutenção do dia 22?" é a frase mais lucrativa do balcão;
  2. Lembrete automático perto da data — a memória da cliente não é plano de negócio;
  3. Sinal nos horários disputados — atendimento de 40 minutos furado não tem reposição;
  4. Ficha com foto e mapping — alergia a henna anotada, evolução documentada, confiança construída;
  5. Assinatura para as fiéis — quem mantém o olhar todo mês é assinante que ainda não assinou.

O segmento cresceu no silêncio. Quem organizar a recorrência primeiro vai colher esse crescimento em agenda cheia — o resto vai assistir pelo feed.

Fonte: base Gendo — 37 meses de série histórica (jul/2023 a jul/2026), serviços identificados por categoria; retrato dos studios dedicados sobre os últimos 12 meses (683 estabelecimentos, dados agregados, nenhuma informação individual).